Optando pelo verde
Como o software sustentável contribui para o hardware sustentável
Table of contents
Sobre este manual
Autores
O texto desta versão do manual foi escrito e compilado a partir de várias fontes por Joseph P. De Veaugh-Geiss. Annie Musgrove editou o texto de acordo com as diretrizes editoriais da KDE Eco. Anita Sengupta e Arwin Neil Baichoo tornaram o design do livro e do site belíssimo.
Reconhecimento
Um agradecimento geral aos muitos colaboradores da iniciativa KDE Eco, do projeto Opte pelo Verde e da campanha End Of 10. Uma lista incompleta (em ordem alfabética): Aaron Wey, Albert Astals Cid, Bernard Sadaka, Bettina Louis, Carl Schwan, Carolina Silva Rodé, Christopher Waldon, Finnjan Hofmann, Geoffrey Teale, Harald Reingruber, Jannick Kremer, a comunidade de desenvolvimento do KDE, as equipes de tradução do KDE, Lydia Pintscher, Nico Düsing, Nicole Teale, Øjvind Fritjof Arnfred, Susanne Rabler, Tobias Bernard e, por último, mas não menos importante, as inúmeras pessoas ao redor do mundo que ajudam novos usuários com Software Livre e de Código Aberto. Vocês são todos uma inspiração.
Pessoas interessadas em contribuir para o KDE Eco são encorajadas a participar da sala Matrix. Colaboradores também são convidados a participar de um dos sprints do KDE Eco e de encontros presenciais ou online. Saiba mais em nosso site.
O projeto Opte pelo Verde se beneficiou de muitas discussões informativas que ocorreram nas seguintes conferências, workshops, encontros e festivais: Akademy, Anstiftung, Chaos Communication Congress, ecoCompute, FOSDEM, FOSS Meetup Delhi, Jahrestagung der Gesellschaft für Informatik, KDE India Conference, Linux App Summit, Lucknow FOSS, Repair Cafe Workshops em Hannover, Nürnberg, e Dessau, SFSCon, Umweltfestival e Weltveränderer. Obrigado!
Sem IA generativa ou LLMs
Nenhuma IA generativa ou LLMs foram usados em qualquer etapa da preparação ou escrita deste manual, apesar do que o uso frequente de em-dashes possa sugerir.
Uma nota sobre as fontes
Alguns textos nas Partes I e II foram adaptados do manual KDE Eco "Aplicando os Critérios do Blue Angel ao Software Livre", lançado sob uma licença Creative Commons de Atribuição Compartilhada 4.0 Internacional (CC-BY-SA-4.0).
A Parte III beneficiou-se dos seguintes textos do Grupo de Usuários Linux Villingen-Schwenningen e do Repair-Café Hilpoltstein:
A Wikipédia forneceu referências para vários textos aqui incluídos. Agradecemos à comunidade do Commons por disponibilizar recursos tão excelentes para todos nós.
Licença
Salvo indicação em contrário, todo o conteúdo é publicado sob a licença Creative Commons de Atribuição Compartilhada 4.0 Internacional (CC-BY-SA-4.0). Para mais informações sobre licenciamento de documentação no KDE, consulte a política de licenciamento do KDE.
Introdução: Do que se trata tudo isso?
Este manual oferece uma breve visão geral dos danos ambientais causados por software e como o Software Livre e de Código Aberto (FOSS) oferece uma solução.
Neste ponto, você pode estar se perguntando: o que a sustentabilidade tem a ver com software? Como algo aparentemente tão imaterial quanto um software pode ter um impacto ambiental? Simplificando, computadores e outros dispositivos acabam em aterros sanitários porque o aprimoramento do software os tornam obsoletos — mesmo que, em alguns casos, tais aprimoramentos não sejam necessários.
Neste livro, vamos analisar mais de perto as maneiras pelas quais o software e o hardware que o executa contribuem para a crise climática e o que você pode fazer a respeito em sua comunidade, hoje mesmo! O livro está dividido em três partes principais:
- Parte I: Impacto Ambiental do Software
- Parte II: Sustentabilidade digital
- Parte III: Atualizando dispositivos com software livre e de código aberto (FOSS)
Enquanto a Parte I explora o porquê e a Parte II o quê, a Parte III discute o como, explorando o que você precisa considerar ao ajudar outras pessoas a atualizarem seus hardwares com Software Livre e de Código Aberto. Dessa forma, você e outras pessoas podem usar os dispositivos até o fim da vida útil do hardware, em vez de descartar computadores em funcionamento quando o suporte do software terminar. A Parte III não é um guia técnico passo a passo, mas sim um esboço do que consideramos útil para começar, com dicas sobre como encontrar recursos para obter mais informações.
O público-alvo das Partes I e II é qualquer pessoa que se preocupe com o meio ambiente e com o papel que o software desempenha na sustentabilidade digital. A Parte III é mais específica e prática. O público-alvo desta seção são aqueles que desejam ajudar a prevenir o lixo eletrônico e "reparar" computadores sem suporte, atualizando-os com software livre e de código aberto (FOSS). Isso inclui voluntários em Repair Cafés, organizações ambientais e outras iniciativas de reparo, bem como aqueles que ajudam em eventos do End of 10 e do Dia da Independência Digital, festas de instalação do Linux, CryptoParties e assim por diante.
Vamos começar!
Parte I: Impacto Ambiental do Software
Antes de analisarmos o impacto ambiental do software, pense em como você completaria esta frase:
O dispositivo mais ecológico é …
Pense nisso por um minuto.
Guarde sua resposta em sua mente — voltaremos a ela em breve.
A tecnologia digital revolucionou a forma como vivemos e é frequentemente elogiada por trazer não apenas conveniência, mas também eficiência ao nosso dia a dia. As empresas têm aproveitado a digitalização para a distribuição eficiente de todos os tipos de bens de consumo e a desmaterialização de produtos cotidianos. Ingressos impressos para shows ou viagens não são mais necessários, pois podem ser baixados e apresentados no celular. As fotografias não são mais guardadas em caixas de sapatos abarrotadas, mas em um tablet ou computador. Milhares de filmes e séries de TV são transmitidos em laptops, tornando as coleções de filmes coisa do passado. Em muitos casos, um único dispositivo, um smartphone, é usado para tudo isso—e muito, muito mais. Esses objetos físicos já foram uma parte importante de nossas vidas diárias, mas hoje, eles simplesmente não são mais necessários, pois agora existem quase que exclusivamente em formato digital em nossos dispositivos.
Apesar de todas as maneiras pelas quais a digitalização tornou nossas vidas mais convenientes e eficientes, pode parecer que esses avanços tecnológicos também são menos materiais e menos desperdiçadores. Mas será mesmo?
Resposta curta: não. A internet e os computadores que usamos para nos conectar a ela exigem infraestrutura física. Isso inclui a extração de materiais para a fabricação, as fábricas que produzem os dispositivos e as redes que abrangem continentes e possibilitam a comunicação global. Tudo isso requer energia e recursos. Muita energia e recursos. Além disso, o hardware considerado obsoleto acaba em centros de descarte para tratamento de fim de vida útil ou como lixo em aterros sanitários, que é tóxico tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente. Então, novos dispositivos são produzidos e transportados para substituí-los. Mas, esses dispositivos "antigos" são realmente obsoletos quando ainda funcionam? O que exatamente os transformou em lixo eletrônico? Em muitos casos, é o software que determina a vida útil da infraestrutura digital. Não só isso, o software determina o consumo de energia e recursos de um dispositivo enquanto você ainda o está usando.

Este manual examinará mais de perto algumas das maneiras pelas quais a tecnologia digital contribui para os danos ambientais e para a crise climática. Para que fique claro, este manual não é contra a tecnologia. Sem dúvida, a digitalização melhorou a vida de inúmeras maneiras para um grande número de pessoas. Mas os impactos ecológicos da tecnologia digital exigem que reflitamos mais profundamente sobre as maneiras como a utilizamos e como podemos usá-la de forma mais sustentável. A boa notícia é que, por meio de nossas escolhas de software, os usuários podem ter uma influência imediata e significativa em muitas das questões discutidas ao longo deste manual.
Para solucionar um problema de forma eficaz, porém, primeiro precisamos entendê-lo. Vamos, então, explorar o que significa pegada ambiental digital e como o software que usamos diariamente está envolvido nesse processo.
Pegada material da tecnologia digital
A tecnologia digital é frequentemente (e erroneamente) associada à imaterialidade. Mas existe um aspecto muito real e muito material na digitalização, que abrange não apenas nossos dispositivos físicos, como smartphones e laptops, mas também as usinas de processamento de metais extraídos necessárias para seu funcionamento, os navios porta-contêineres que transportam hardware produzido em massa e os cabos e centros de dados que os conectam às redes globais.
Usamos mais dispositivos digitais do que nunca. O número de dispositivos conectados à internet, incluindo laptops e smartphones, mas também smart TVs, assistentes domésticos e outros dispositivos da Internet das Coisas (IoT), está crescendo. Globalmente, a adoção de smartphones aumentou rapidamente, assim como a demanda por recursos necessários para fabricar dispositivos novos e cada vez mais poderosos. A produção desses dispositivos, incluindo a mineração de metais de terras raras necessários para seu funcionamento, e seu transporte, uso e descarte final, têm um impacto ambiental.

Na verdade, o impacto ambiental da indústria como um todo, em particular em termos de emissões de CO₂, está atualmente em pé de igualdade com a indústria da aviação. A Association of Computing Machinery (ACM), a mais antiga sociedade científica e educacional de computação do mundo, publicou um relatório do Conselho de Política Tecnológica em 2021 intitulado "Computação e Mudanças Climáticas". As estimativas do relatório são impressionantes. Estima-se que o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) contribua com entre 1,8% e 3,9% das emissões globais de carbono anualmente. A indústria global da aviação contribui com 2,5%. O relatório da ACM alerta que, se nada mudar, as emissões de carbono das TIC aumentarão para mais de 30% de todas as emissões globais até 2050. Em suas conclusões, os autores reconhecem uma contradição inerente à digitalização: a tecnologia digital "pode ajudar a mitigar as mudanças climáticas", mas "primeiro deve parar de contribuir para elas".
Para estimar a contribuição da tecnologia digital para os danos ambientais, é necessário considerar todo o seu ciclo de vida. Isso inclui os custos de produção e transporte de dispositivos digitais (da loja até o aterro sanitário), os custos de uso e os custos de remediação dos danos ambientais causados pelo lixo eletrônico. Isso é especialmente verdadeiro ao considerarmos a pegada de carbono agregada de nossas tecnologias digitais, já que, em alguns casos, a simples produção de um dispositivo contribui com mais emissões de gases de efeito estufa do que o uso do dispositivo durante toda a sua vida útil! Guarde essa ideia por um momento, pois nossa exploração do ciclo de vida de um dispositivo começará, na verdade, pelo seu fim, quando ele se torna lixo eletrônico. Depois de visitarmos os aterros sanitários e depósitos de sucata, exploraremos o impacto ambiental da produção de hardware e do uso de dispositivos.

Um “Tsunami de Lixo Eletrônico"
Com sete metros de altura, o “Homem REEE” é um gigante. Recebendo o nome da diretiva de 2003 sobre Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE), que estabelece metas de coleta, reciclagem e recuperação de lixo eletrônico na UE,1 a estátua é feita de 3,3 toneladas métricas de lixo eletrônico. Isto é a quantidade média de lixo eletrônico que um indivíduo do Reino Unido gera ao longo da vida.
Em 2015, quando o lixo eletrônico estava prestes a se tornar o "fluxo de resíduos de crescimento mais rápido do mundo", o então Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Achim Steiner, alertou para um "tsunami de lixo eletrônico se espalhando pelo mundo". Os números são impressionantes. Em 2022, estimou-se que 62 bilhões de quilogramas de lixo eletrônico foram gerados globalmente, quase o dobro do registrado em 2010, de acordo com um relatório do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR) e da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Para se ter uma ideia da dimensão desse número, 62 bilhões de quilogramas encheriam 1,55 milhão de caminhões de 40 toneladas que dariam a volta completa na linha do Equador. Isso equivale a 40.075 quilômetros de lixo eletrônico. Em apenas um ano!

Os números continuam a aumentar. De acordo com o mesmo relatório, a quantidade de lixo eletrônico está aumentando em cerca de 2,3 bilhões de quilogramas por ano — e estamos a caminho de gerar 82 bilhões de quilogramas até o ano de 2030. Pior ainda, menos de 20% do lixo eletrônico é coletado e reciclado. Embora represente apenas 2% do lixo em aterros sanitários, ele contribui com quase 70% dos resíduos tóxicos encontrados lá. O WEEE Forum alerta: "Atualmente, a quantidade de lixo eletrônico está crescendo cinco vezes mais rápido do que as taxas formais de coleta seletiva desde 2010". Em 2024, cerca de 18% do lixo eletrônico provém de computadores pessoais, impressoras, celulares, roteadores, dispositivos GPS e telefones, bem como telas e monitores. O restante inclui câmeras de vídeo, brinquedos, fornos de micro-ondas, cigarros eletrônicos (em conjunto denominados "equipamentos pequenos"); máquinas de lavar roupa, lava-louças, impressoras grandes, fotocopiadoras (em conjunto denominadas "equipamentos grandes"); painéis fotovoltaicos, entre outros.
De todos esses dispositivos, o lixo eletrônico da tecnologia da computação é particularmente problemático. Componentes eletrônicos descartados, como CPUs, contêm materiais potencialmente nocivos, como chumbo, cádmio, berílio ou retardantes de chama bromados. Como resultado, seu tratamento ao final da vida útil pode envolver risco significativo para a saúde dos trabalhadores e suas comunidades. Além disso, os catadores arriscam sua saúde pelos metais preciosos descartados em laptops e smartphones, "que podem conter chumbo, mercúrio ou outras substâncias tóxicas. O processo de desmontagem e descarte de lixo eletrônico já causou diversos impactos ambientais em países em desenvolvimento. Emissões líquidas e atmosféricas acabam em corpos d'água, águas subterrâneas, solo e ar — e, portanto, também em animais terrestres e marinhos, em plantações consumidas por animais e humanos e na água potável.
Este manual trata principalmente de computadores de mesa e laptops, mas os assuntos aqui abordados se aplicam a qualquer dispositivo que precise de software para funcionar. Cada vez mais, isso inclui praticamente tudo. Como escreve o tecnólogo de interesse público Bruce Schneier: "Não temos mais coisas com computadores embutidos. Temos computadores com coisas conectadas a eles." Schneier continua (ênfase adicionada):
Sua geladeira moderna é um computador que mantém as coisas frias. Seu forno, da mesma forma, é um computador que aquece as coisas. Um caixa eletrônico é um computador com dinheiro dentro. Seu carro não é mais um dispositivo mecânico com alguns computadores dentro; é um computador com quatro rodas e um motor. Na verdade, é um sistema distribuído com mais de 100 computadores com quatro rodas e um motor. E, claro, seus telefones se tornaram computadores de uso geral e com capacidade total em 2007, quando o iPhone foi lançado.
Vestimos computadores: rastreadores de atividades físicas e dispositivos médicos com tecnologia integrada — e, claro, carregamos nossos smartphones para todos os lugares. Nossas casas têm termostatos inteligentes, eletrodomésticos inteligentes, fechaduras inteligentes e até lâmpadas inteligentes. [...] As cidades estão começando a incorporar sensores inteligentes em ruas, postes de luz e praças, além de redes de energia e transporte inteligentes. Uma usina nuclear é, na verdade, apenas um computador que produz eletricidade e — como tudo o que acabamos de listar — está na internet.
Todos esses dispositivos computadorizados estão na internet, muitos estão coletando dados sobre você—e, crucialmente, todos eles precisam de software para funcionar.
Dano Incorporado — Antes Mesmo de o Dispositivo Ser Utilizado
Agora, vamos avaliar o início do ciclo de vida, quando o dispositivo é produzido. Quando um dispositivo em funcionamento vai para o aterro sanitário, todos os custos de energia e emissões incorporadas vão com ele. O que são emissões incorporadas e como elas diferem das emissões de uso? Emissões incorporadas referem-se à pegada de carbono necessária para produzir e transportar o dispositivo muito antes de ele chegar às mãos de um usuário. Por outro lado, as emissões de uso são as emissões de CO₂, como você já deve ter imaginado, quando o dispositivo está sendo usado. Na maioria dos casos, as emissões de carbono da produção são extremamente desproporcionais às do uso.

O carbono incorporado é crucial ao considerarmos a pegada de carbono de nossos dispositivos. Considere três dispositivos comuns de usuário final: laptops, desktops e monitores. Ao comparar o uso com as emissões de carbono incorporado (Figura 5), a produção sozinha representa de 50 a 80% das emissões totais durante toda a vida útil desses dispositivos. De fato, um relatório de 2012 publicado pela Agência Ambiental Alemã estima que, por razões ambientais, seria necessário usar um laptop por décadas antes que quaisquer ganhos de eficiência em dispositivos recém-produzidos justificassem sua compra. O relatório afirma (ênfase adicionada):
[O]s impactos ambientais da fase de produção de um notebook são tão elevados que não podem ser compensados, em períodos de tempo realistas, por ganhos de eficiência energética na fase de uso. No caso de um aumento de 10% na eficiência energética de um notebook novo em comparação com o antigo, a substituição do notebook antigo só se justifica após 33 a 89 anos, se forem consideradas as preocupações ambientais.
Tendo em vista o problema do lixo eletrônico e o carbono incorporado nos dispositivos do usuário final, voltemos à frase que introduziu esta seção. Como você completou a afirmação: "O dispositivo mais ecológico é…"?
Nosso resposta: O dispositivo mais ecológico é aquele que você já possui!

Agora, vamos considerar como o software aumenta as exigências sobre o hardware, bem como por que muitas vezes descartamos dispositivos que ainda funcionam para comprar novos. Para isso, precisamos analisar o software.
Hardware encontra o software
Vamos agora abordar a fase intermediária do ciclo de vida de um dispositivo, ou seja, os anos em que você usa seu computador.
A engenharia de software desempenha um papel importante, porém frequentemente invisível, na definição de nossos padrões de consumo digital. Muitas vezes, existem razões econômicas — e não tecnológicas — que impulsionam esse comportamento. De fato, os fabricantes frequentemente incentivam os consumidores a comprar novos dispositivos desnecessariamente. Aliás, podem até mesmo impor isso por meio do design do software. O lançamento mais recente e atraente que os usuários são incentivados a comprar — frequentemente com novos recursos computacionalmente dispendiosos, como IA generativa, acompanhados de mineração de dados aprimorada e anúncios integrados — pode levar dispositivos menos potentes, porém funcionais, diretamente para o lixo. Os usuários pouco podem fazer a respeito quando o licenciamento de software proíbe modificações por parte do usuário. Como diz o critério do prêmio Blue Angel para certificação ecológica de software: "[…] a chave para aumentar a eficiência energética e proteger os recursos naturais não está no hardware, mas sobretudo no software".
Para entender o consumo de energia de um dispositivo e como o software está envolvido, esta seção explorará três aspectos:
- Demandas — O software determina o consumo de energia e os requisitos mínimos do sistema.
- Dependências — O software pode definir dependências fixas em serviços e empresas externas.
- Longevidade — O software é responsável por quanto tempo os dispositivos permanecem em uso (com segurança).
Demandas de hardware
O software consome energia. Componentes de software indesejados criam ineficiências e aumentam as demandas de hardware, ocupando memória, desperdiçando tempo de processamento, consumindo armazenamento e causando atrasos na inicialização e no desligamento do sistema. Pior ainda, o excesso de funcionalidades e outras formas de inchaço de software aumentam o consumo de energia e tornam o hardware menos potente inutilizável (na Parte II, analisaremos mais detalhadamente exemplos de código de software ineficiente). Considere isto, novamente dos critérios do prêmio Blue Angel: "Produtos de Software com Uso Eficiente de Recursos e Energia":
O poder de processamento dobrou aproximadamente a cada dois anos desde 1970. Isso significa que as funções são processadas duas vezes mais rápido e, portanto, menos energia é necessária para as mesmas funções. Uma melhoria semelhante na eficiência não pode ser observada na área de software. [...] A disponibilidade de hardware cada vez mais potente resultou em softwares cada vez mais complexos a cada versão, de modo que mais recursos são necessários para melhorias mínimas ou até mesmo inexistentes na funcionalidade.
Além disso, a mineração de dados, a publicidade, o rastreamento de terceiros e os algoritmos personalizados de maximização do engajamento aumentam o consumo de energia nos softwares que executamos, tanto no dispositivo do usuário quanto na nuvem. Em um relatório de 2021 intitulado "Pegada de carbono do uso indesejado de dados por smartphones: uma análise para a UE", pesquisadores da UE estimaram os custos ambientais do rastreamento e dos anúncios dos quais os usuários não podem optar por não participar. A pegada de carbono desse "uso indesejado de dados" em smartphones equivale a entre 3 e 8 milhões de toneladas de CO₂ por ano somente na UE, "equivalente à pegada de carbono de entre 370 e 950 mil cidadãos da UE". Na pior das hipóteses, isso equivale aproximadamente à pegada de carbono anual de uma cidade da União Europeia, como Turim ou Lisboa. O relatório aponta que cerca de 60% dos usuários europeus de smartphones afirmam que optariam por não ser rastreados e bloquear anúncios sempre que possível. Isso representa uma quantidade enorme de CO₂ para algo que a maioria dos usuários nem sequer deseja!
Entretanto, sistemas com Modelos de Linguagem Amplos e outras formas de IA generativa aumentam não apenas as demandas de hardware e o consumo de energia, local e remotamente, mas também o consumo de água. Por enquanto, optar por não usar a funcionalidade integrada de IA generativa pode ser possível, mas não é fácil— e desativar essas ferramentas pode não ser possível no futuro. Na infraestrutura, o treinamento e a implantação de modelos de IA generativa exigem uma quantidade impressionante de eletricidade. Isso está sobrecarregando a rede elétrica e aumentando as contas de luz em áreas próximas aos data centers, além de exigir novas fontes de energia e a reabertura de usinas desativadas para operá-las. Estima-se que uma consulta usando o ChatGPT exija cinco vezes mais energia do que uma pesquisa na web, e o consumo de água dos centros de dados do Google e da Microsoft aumentou cerca de 20-35%, atribuído às cargas de trabalho de IA generativa. A integração de IA generativa com software, como o Copilot+ da Microsoft e o Apple Intelligence, exige requisitos mínimos de hardware significativamente mais elevados, o que já tornou obsoletos os dispositivos de consumo de baixo custo.
Dependências externas
As dependências de rede podem desempenhar um papel crítico na longevidade do hardware. A infraestrutura subjacente da qual as pessoas podem depender para executar um aplicativo — como servidores de licença de software usados para controle de acesso ou funcionalidades dependentes de servidor — pode ficar offline, às vezes permanentemente, resultando em dispositivos com funcionalidade reduzida, mesmo para uso primário. Além disso, como você já deve imaginar, essas dependências exigem processamento extra e, portanto, consomem recursos e energia, muitas vezes além do necessário para a finalidade pretendida do software.
Conforme relatado pela Ars Technica em relação aos automóveis definidos por software que dependem de "servidores centralizados, assinaturas e software proprietário":
A lição é clara: nos carros de hoje, o motor a combustão ou o motor elétrico nem sempre são o que te mantém em movimento — é o software. Quando esse software desaparece com a falência de uma empresa, seu carro pode se transformar de veículo de uso diário em um peso de papel caro da noite para o dia. E na era dos veículos definidos por software, possuir um carro significa cada vez mais apostar na sobrevivência do seu código. Quando esse código falha, a garagem ou a estrada — e não a oficina mecânica — se torna o destino final.
Longevidade do dispositivo
Todo esse processamento adicional para executar softwares pesados ou ter ferramentas de IA generativa integradas em aplicativos do usuário (quer você queira ou não), para enviar seus dados a servidores desconhecidos para processamento ou exibir anúncios no seu dispositivo, não só aumenta as demandas de hardware, como também desgasta o dispositivo. Como a publicação online de computação XDA afirma: "CPUs submetidas a cargas de trabalho pesadas constantes, overclocking e altas temperaturas de operação quase certamente se degradarão mais rapidamente." Todos esses "recursos" codificados no software podem estar sobrecarregando e aquecendo seu dispositivo, desgastando-o mais rapidamente. A questão é: você realmente queria essa "funcionalidade" extra? E você pode removê-la se quiser?
Existe outra forma comum pela qual o software pode tornar um dispositivo obsoleto. O fim de vida útil e o abandono de software, em particular quando lançados sob uma licença proprietária, podem, na pior das hipóteses, significar que seu dispositivo para de funcionar ou, na melhor das hipóteses (!), deixar os usuários vulneráveis a vírus e outros malwares. Não são apenas os novos recursos que são descontinuados quando o desenvolvimento de software para; mais importante ainda, são as atualizações de segurança. Essas atualizações são essenciais para o seu computador e para os dispositivos aos quais ele se conecta. Todo software precisa receber atualizações para manter seus dados seguros e protegidos. Mais sobre isso na próxima parte deste manual.
Na Parte I, exploramos os danos ambientais da digitalização e identificamos várias maneiras pelas quais o software pode tornar um dispositivo funcional obsoleto. Na Parte II, analisaremos o papel que o Software Livre e de Código Aberto desempenha na extensão da vida útil do hardware e no fornecimento de suporte contínuo ao dispositivo. Mas primeiro, vamos nos perguntar: vale mesmo a pena focar em software?
Vale a pena focar em software?
Em uma perspectiva mais ampla, os danos ambientais causados pelo software podem ser menos significativos em comparação com outros setores. Portanto, parece razoável perguntar: vale a pena abordar essa questão?
Há alguns pontos que podemos considerar aqui". O primeiro é a rejeição da falácia do "Não tão ruim quanto", também conhecida como "Apelo a problemas piores". O argumento geral é o seguinte: a contribuição do software para as emissões globais de CO~2 pode não ser tão ruim quanto a de outro setor e, portanto, não vale a pena focar nisso. O problema desse argumento é que, embora outro setor possa ser pior, isso não anula o fato de que a engenharia de software é responsável por causar sérios danos ambientais. Além disso, a falácia do "Não tão ruim quanto" sugere uma falsa escolha entre abordar um problema ou outro, quando, na verdade, o design de software ecologicamente correto é apenas uma peça de um quebra-cabeça maior.

Não sejamos como o White Hat do XKCD e apelemos para problemas piores como desculpa para não fazer nada!
Em segundo lugar, concentrar-se apenas em resolver o "maior problema" não é necessariamente a estratégia mais eficaz. Também é importante avaliar a probabilidade de sucesso ao abordar uma questão, bem como o tempo e os recursos necessários para isso. O Software Livre e de Código Aberto, com seu foco na autonomia e transparência do usuário, oferece oportunidades únicas para que usuários, comunidades e organizações abordem diretamente questões sociais e ecológicas interligadas. As licenças de software permitem que o software seja adaptado, atualizado e mantido sem dependências de fornecedores ou restrições artificiais, geralmente a um custo menor.
Finalmente, espero que agora esteja claro que o software contribui significativamente para o consumo de energia e recursos, bem como para o desperdício, e essas contribuições só piorarão a menos que façamos mudanças reais.
Alterar nossos softwares e usar nossos hardwares de forma mais sustentável pode parecer um pequeno gesto para lidar com um problema tão complexo quanto a mudança climática. Também é evidente que simplesmente mudar nossos padrões de consumo individuais pode não ser suficiente por si só. É verdade: um futuro com zero emissões exigirá mudanças fundamentais tanto em como vivemos quanto em como as indústrias operam, e essa responsabilidade não pode ser gerenciada em nível individual. Mas considere o que a antropóloga Margaret Mead observou certa vez:
"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos conscientes e comprometidos possa mudar o mundo; na verdade, é a única coisa que já o fez."
A mudança estrutural acontece quando pessoas dedicadas e apaixonadas se organizam para enfrentar problemas sociais urgentes. Com décadas de experiência em unir comunidades globais para trabalhar em prol de objetivos comuns, o Software Livre e de Código Aberto pode ser uma força poderosa no combate ao impacto ambiental da digitalização. Sabemos como nos organizar — agora, é uma questão de transformar planos em prática, objetivos em realidade. Vamos nos unir para combater os danos ambientais causados por softwares. Vamos fomentar uma cultura de sustentabilidade digital em nossas comunidades e além.
Parte II: Sustentabilidade digital
Qual a relação entre o impacto ambiental do software e o Software Livre e de Código Aberto (FOSS)? Antes de explorarmos esse tópico em detalhes, vamos primeiro entender o que exatamente é FOSS e como ele difere de seu equivalente, o software proprietário.
O que é software livre e de código aberto (FOSS, sigla em inglês)?
Software Livre e de Código Aberto, frequentemente referido pela sigla FOSS, é um software disponível sob uma licença que garante aos usuários certos direitos. Esses direitos são às vezes chamados de quatro liberdades essenciais, ou seja, a liberdade de usar, estudar, compartilhar e aprimorar o software. Essas liberdades estão no cerne do FOSS — a palavra "Livre" em Software Livre e de Código Aberto não tem nada a ver com preço, mas sim com as liberdades que acompanham a licença do software. Estamos falando do significado de "livre" como na expressão "sociedade livre"!

O que significa exatamente cada um desses direitos? A Fundação para o Software Livre na Europa (FSFE) explica:
- Usar: O FOSS "pode ser usado para qualquer finalidade e está livre de restrições como expiração de licença ou limitações geográficas."
- Estudar: O FOSS "e seu código podem ser estudados por qualquer pessoa, sem acordos de confidencialidade ou restrições semelhantes."
- Compartilhar: O software livre e de código aberto (FOSS) "pode ser compartilhado e copiado praticamente sem custo algum".
- Aprimorar: O software livre e de código aberto (FOSS) "pode ser modificado por qualquer pessoa, e essas melhorias podem ser compartilhadas publicamente".
O vídeo "O que é Software Livre (Código Aberto)?" da FSFE oferece uma breve introdução ao tema do FOSS e sua importância para a sociedade. Confira se você quiser mais informações sobre a conexão entre software e liberdade.
Uma seção inteira sobre licenças de software?! Que chato! Bem, pode parecer árido e técnico, mas na verdade é bem interessante. De verdade. E esperamos que você concorde no final! Quando falamos de licenciamento de software, estamos falando, na verdade, sobre nossos direitos e nossa capacidade de participar de uma sociedade digital. A tecnologia digital sustenta praticamente todos os aspectos da vida moderna: nossas casas, escolas, universidades, governos, indústrias, organizações sem fins lucrativos, hospitais e assim por diante. Hoje, todos dependem da tecnologia digital. E toda essa tecnologia requer software.
Já que este software está moldando nossas vidas e comunidades, não deveríamos ter voz em como ele funciona? A comunidade KDE, a comunidade de Software Livre e de Código Aberto que apoia a iniciativa KDE Eco, tem a seguinte visão. Ela resume bem o tipo de mundo que o FOSS e seus apoiadores estão construindo.
"Um mundo em que todos têm controle sobre sua vida digital e desfrutam de liberdade e privacidade."
O KDE Eco acrescentaria apenas: "...desfrutam de liberdade, privacidade e de um uso mais sustentável da tecnologia digital!"
Neste texto, usamos o termo Software Livre e de Código Aberto, mas o leitor também pode encontrar os termos Software Livre, Software de Código Aberto e Software de Código Aberto Livre. Para os nossos propósitos, todos se referem à mesma coisa: os direitos garantidos pelo licenciamento do software. E esses direitos estão diretamente ligados à acessibilidade do código-fonte do software.
O que é o código-fonte?
O oposto de FOSS é o "software proprietário". O software proprietário é licenciado de forma a não dar aos usuários qualquer controle sobre o código por trás do software que utilizam. Na verdade, o software proprietário é normalmente distribuído com o código-fonte não divulgado.
Espere um minuto, você deve estar se perguntando o que é código-fonte?
Na verdade, o que é software, afinal?
Em sua essência, o software é uma receita para o computador. Os programadores escrevem as receitas em "código-fonte", que é, simplificando, um conjunto de instruções legíveis por humanos para o computador. E assim como uma receita é escrita em uma ou outra língua humana, o código-fonte é escrito em uma linguagem de programação. Com acesso ao código-fonte, qualquer pessoa pode entender e revisar a receita — até mesmo você! Aliás, tente você mesmo: consegue adivinhar o que o código-fonte abaixo faz?2
int main(){
printf(''Hello World!'')
return 0
}
Você provavelmente adivinhou certo: ele imprime a frase "Olá, Mundo!" na tela. Mesmo que você não saiba nada sobre a linguagem de programação (uma linguagem chamada C), o código é transparente e legível. Talvez você já consiga fazer algo com ele, modificá-lo ou aprimorá-lo de alguma forma, mesmo sem ser programador. Por exemplo, se você fala outro idioma, poderia traduzir o texto impresso na tela ou até mesmo alterá-lo completamente.
Este código-fonte, esta receita, é ótimo para humanos, mas na verdade não é tão bom para computadores. Um computador exige que a receita seja codificada em algo mais parecido com um computador, ou seja, 1s e 0s, ou código binário. Essa conversão de código-fonte para código binário é o trabalho de um compilador — os compiladores transformam o código-fonte legível para humanos em código binário adequado para computadores. Viva! Considere aquele mesmo trecho de código fácil de ler acima, mas agora em formato binário:
1100011110111010100101001001001010101110
0110101010011000001111001011010101111101
0100111111111110010110110000000010100100
0100100001100101011011000110110001101111
0010000001010111011011110111001001101100
0110010000100001010000100110111101101111
Você consegue ler este código? Consegue fazer alguma coisa com ele? Modificá-lo de alguma forma significativa? Não se preocupe, nenhum ser humano consegue! O software proprietário é normalmente distribuído em código binário, apenas um monte de 1s e 0s, enquanto o código-fonte permanece um segredo, oculto por trás de licenças proprietárias. Todas aquelas coisas que você poderia fazer quando tinha acesso à receita — entender o que o código-fonte faz, talvez até mesmo alterá-lo ou melhorá-lo — permanecem totalmente fora de alcance3 quando tudo o que você tem é o bolo assado. Você não pode saber como o bolo foi feito e com quais ingredientes, e certamente não pode modificá-lo.
Resumindo, quem controla a receita decide o bolo que vamos comer.
Se ao menos estivéssemos falando apenas de receitas de bolo! Na verdade, o que estamos discutindo é o código que molda todos os aspectos da vida na era digital, do trabalho à socialização, da saúde aos encontros amorosos, dos clubes de leitura do bairro à pesquisa acadêmica. E tudo o mais que fazemos com nossos computadores e smartphones o tempo todo.
Em contraste com o software proprietário, o FOSS garante o direito dos usuários de acessar o código-fonte e utilizá-lo independentemente das pessoas ou da empresa que o desenvolveu. Assim, em um mundo onde a tecnologia digital está presente (e às vezes nem tão discretamente) na maioria dos aspectos da vida cotidiana, o acesso ao código-fonte e a capacidade de modificá-lo dizem respeito, em última análise, aos direitos que possuímos como indivíduos e sociedade.
Estamos falando de controle e liberdade — e isso tem grandes implicações para nós e para o meio ambiente. Isso é muito empolgante, não é?!
Existem muitos equívocos sobre o FOSS (Software Livre e de Código Aberto), que abordamos em um apêndice no final deste capítulo, continuando com a analogia das receitas. Se você está se perguntando se qualquer pessoa, talvez até mesmo pessoas mal-intencionadas, pode modificar o código-fonte, ou se tornar o código-fonte transparente o torna menos seguro, e outras questões semelhantes, você pode ir direto para o final desta seção para obter algumas respostas!
FOSS é melhor para o meio ambiente
Melhorando o código — Por usuários e para usuários
Com o FOSS (Software Livre e de Código Aberto), o código-fonte pode ser modificado para garantir que o software não execute tarefas desnecessárias, reduzindo assim as demandas de hardware, economizando recursos compartilhados e garantindo a longevidade do hardware. Considere os resultados de um estudo publicado pela Agência Ambiental Alemã e um artigo relacionado na revista Future Generation Computer Systems. Os pesquisadores relatam que duas aplicações que realizam a mesma tarefa e alcançam o mesmo resultado podem impor demandas diferentes ao hardware e apresentar perfis de energia drasticamente diferentes.
O estudo incluiu uma comparação de dois programas de processamento de texto: o Processador de Texto 1, identificado como "Código Aberto", e o Processador de Texto 2, identificado como "Proprietário". Ambos os programas foram instruídos a executar as mesmas ações. O resultado pode ser visto na Figura 9. A execução do Processador de Texto 2 consumiu quatro vezes mais energia em comparação com o Processador de Texto 1 — e isso é extremamente importante, para realizar a mesma tarefa!

Ao analisar o consumo de energia dos dois processadores de texto ao longo do tempo, fica claro como os dois programas se comportam de maneira bastante diferente… e talvez contrária ao que se poderia esperar. Considere o gráfico na Figura 10. Por volta dos 440 segundos, ambos os processadores de texto salvam o documento e nenhuma outra ação é executada pelo script de medição. Como você pode ver, o Processador de Texto 1 de Código Aberto fica ocioso (como era de se esperar). Em contraste, o Processador de Texto 2 Proprietário continua funcionando, consumindo energia adicional até a conclusão da medição. Vale a pena perguntar para que servem as atividades adicionais entre 440 e 600 segundos: as ações do Processador de Texto 2 são necessárias para o funcionamento do software? O processador de texto proprietário está coletando e transmitindo dados do usuário? Se sim, os usuários têm uma maneira de optar por não participar desse tipo de análise? Bem, isso depende do design do software.

Nesses casos, a autonomia do usuário pode fazer uma grande diferença no perfil de energia de um produto de software. O software proprietário pode fornecer alguma autonomia, oferecendo aos usuários opções predefinidas, mas essas são apenas opções que o fornecedor decidiu oferecer e podem ser revogadas a qualquer momento. Por outro lado, o FOSS dá aos usuários acesso ao código-fonte e o direito de modificá-lo. Isso é autonomia real. Dessa forma, o software pode ser configurado para funcionar da maneira que os usuários, e não as empresas, desejam. Para ser claro, simplesmente lançar um software sob uma licença FOSS não garante maior eficiência do código. O código proprietário pode ser muito eficiente. No entanto, o FOSS tem uma vantagem real, pois as ineficiências podem ser encontradas e corrigidas por qualquer pessoa — o que é simplesmente impossível com software proprietário.
Será que as mudanças na eficiência do código realmente importam? Em grande escala, certamente que sim! Dado que aplicativos como processadores de texto são executados em praticamente todas as casas e escritórios modernos, melhorias mínimas na eficiência do software podem, em grande escala, resultar em economias comparáveis ao consumo anual de energia de cidades inteiras. Essa afirmação se baseia em um exemplo do Engenheiro de Produto da SAP, Detlef Thoms, que faz cálculos aproximados (04:20–06:10) para passar de uma redução de um segundo de CPU, equivalente a uma economia de cerca de 10 watts-segundo, para uma economia de 95 mil megawatts-hora simplesmente aumentando a escala. Essas economias são comparáveis ao consumo anual de energia de mais de 30 mil residências de duas pessoas. Conforme mencionado no vídeo: "Frequentemente, trata-se de um conjunto de decisões bastante gerenciáveis que levam a diferenças significativas no consumo de energia" — ou seja, pequenas mudanças podem gerar grandes resultados.
Aqui foi discutido apenas um exemplo, mas a mesma lógica se aplica a outros exemplos de demandas de hardware do software, dependências externas e longevidade do dispositivo apresentados na Parte I. O software determinará o que é necessário do nosso hardware para executar aplicativos e sistemas operacionais. Quando o acesso ao código-fonte é restrito, os usuários têm apenas um controle aparente sobre o software. Por meio da transparência e da autonomia do usuário, o FOSS (Software Livre e de Código Aberto) dá aos usuários controle real, o que possibilita um uso mais sustentável dos recursos. Agora, vamos analisar o que isso significa especificamente para a longevidade do hardware.
FOSS não se destina apenas às versões mais recentes e sofisticadas
O software livre e de código aberto (FOSS) ajuda a manter modelos de hardware mais antigos em funcionamento, permitindo que o dispositivo opere muito além do ponto em que o software proprietário os tornaria obsoletos. Vamos discutir como o FOSS possibilita ciclos de vida mais longos para os dispositivos e o que significa um software leve e independente para o uso sustentável do hardware.
Primeiramente, o software determina não apenas quanta energia o hardware precisa, mas também o quão potente o hardware deve ser para executar o software. Considere as duas tabelas a seguir, que comparam os requisitos mínimos de sistema para RAM, processador e armazenamento do Microsoft Windows 11, macOS 14 "Sonoma" e os sistemas operacionais (SO) básicos de algumas distribuições de Software Livre e de Código Aberto. Todos os sistemas na tabela estão recebendo atualizações de segurança no início de 2026, sendo o Sonoma a versão mais antiga do macOS ainda suportada pela Apple.
| SO Proprietário | RAM | Processador | Armazenamento |
|---|---|---|---|
| Windows 11 | 4 GB | certos processadores de 64 bits | 64 GB |
| + Copilot genAI | 16 GB | + NPU | 256 GB |
| macOS 14 | 8 GB | 64 bit | 25 GB |
Os sistemas operacionais proprietários geralmente têm requisitos mínimos de sistema mais elevados e não oferecem suporte a hardware de baixo custo. Em contrapartida, ao considerarmos os sistemas baseados em FOSS (software livre e de código aberto) abaixo, podemos observar que eles geralmente têm requisitos de sistema mais baixos. Por quê? Os sistemas operacionais Windows e macOS vêm com muitos serviços e aplicativos integrados, e é certo que a telemetria está habilitada por padrão. Atualmente, esses sistemas são cada vez mais acompanhados de ferramentas de IA generativa e, em alguns casos, até mesmo anúncios. Além disso, por design, o software é projetado para ser executado em hardware mais recente e, portanto, exigirá maior poder computacional. Com um hardware tão poderoso, os problemas de inchaço de software serão menos relevantes.
| SO baseado em FOSS | RAM | Processador | Armazenamento |
|---|---|---|---|
| Fedora (Linux) | 2 GB | 64 bit | 15 GB |
| openSUSE (Linux) | 2 GB | 64 bit | 8 GB |
| Debian (Linux) | 512 MB | 64 bit | 4 GB |
| Arch (Linux) | 512 MiB | 64 bit | 2 GB |
| OpenBSD (BSD) | 512 MB | 32 or 64 bit | 1 GB |
| Haiku (BeOS) | 384 MiB | 32 or 64 bit | 1,5 GB |
Em contraste, os sistemas operacionais base no ecossistema FOSS geralmente são apenas isso, um sistema base, com menos serviços e aplicativos em segundo plano, telemetria normalmente desativada por padrão e, portanto, menor sobrecarga geral. Os usuários têm muito mais opções na configuração do sistema base e do software instalado sobre ele, como ambiente de área de trabalho, gerenciador de janelas e aplicativos. Esse maior nível de personalização significa mais controle para o usuário.
Não são apenas os usuários finais que personalizam os sistemas. Muitas distribuições FOSS (ou distros) se baseiam nesses sistemas e os distribuem juntamente com serviços e softwares adaptados para diversos usuários e computadores. Muitos usuários iniciantes em FOSS podem se interessar por uma distribuição projetada especificamente para "novatos", que normalmente inclui muitos serviços e configurações padrão para que tudo funcione imediatamente. Além disso, o FOSS permite modificações no código-fonte e o compartilhamento das alterações. De fato, essas distribuições derivadas são criadas o tempo todo. Embora tantas opções possam ser uma fonte de confusão para usuários de Windows e macOS, o fato de ser possível um alto nível de personalização oferece muito mais variedade no suporte a hardware, incluindo suporte contínuo para dispositivos de baixo custo.
Lembre-se de que máquinas antigas que apenas atendem aos requisitos técnicos mínimos podem não corresponder às expectativas atuais de velocidade e praticidade. Certamente, tudo depende do que se pretende fazer com o computador, dos aplicativos utilizados e da paciência do usuário. Mesmo assim, computadores com décadas de uso ainda podem executar softwares atualizados com software livre e de código aberto!
Ao impor "recursos" computacionalmente dispendiosos e restringir quem pode modificar o código-fonte, o software proprietário exclui o hardware do suporte contínuo e leva à obsolescência prematura do hardware. Dito isso, todo hardware deveria ter suporte indefinido? Seja proprietário ou de código aberto, é razoável que as equipes de desenvolvimento sejam seletivas quanto ao hardware que desejam suportar, a fim de concentrar melhor seus esforços. Ninguém tem tempo e energia ilimitados. No entanto, enquanto o software de código aberto permite que qualquer pessoa continue a dar suporte a qualquer hardware, se assim o desejar, as licenças proprietárias o impedem.
Se você pretende comprar um novo dispositivo, esses pontos podem não ser relevantes para você. No entanto, se você já possui um computador — que ainda funciona, mas não recebe mais suporte — e deseja continuar usando-o, não é exagero dizer que o software livre e de código aberto (FOSS) é sua única opção. Se um sistema operacional FOSS for executado em seu dispositivo antigo, ele geralmente continuará recebendo atualizações, incluindo atualizações de segurança. As atualizações de software são uma parte importante dessa questão e o tema principal da próxima seção.
O software tem bugs, e isso é arriscado
O software contém defeitos, conhecidos como bugs. Todo software, seja ele Windows ou macOS ou FOSS. Todo software! Esses bugs podem ser menores ou graves. Um bug menor pode resultar em um software mais lento, enquanto um bug grave pode fazer com que o software pare de funcionar completamente. Talvez o tipo de bug mais grave e insidioso crie riscos de segurança para o usuário, chamados de vulnerabilidades. Essas vulnerabilidades de segurança são exploradas por agentes maliciosos para infiltrar em um sistema de computador e podem resultar em perdas financeiras, violações de dados, seu veículo sendo tomado e introduzir sérios riscos a onde quer que os computadores estejam embutidos, incluindo nossos próprios corpos.

Então, como mantemos nossos sistemas seguros? Assim como remendamos um buraco em uma roupa rasgada, o software é "corrigido" para solucionar defeitos. Nos primórdios da computação, esse processo envolvia literalmente a aplicação de correções em fitas de papel ou cartões perfurados, mas agora é feito por meio de atualizações de software. Como Bruce Schneier escreve no livro Click Here To Kill Everybody, "A aplicação de patches é algo que todos fazemos o tempo todo com nossos softwares — geralmente chamamos de 'atualização' — e é o principal mecanismo que temos para manter nossos sistemas seguros." É por isso que os especialistas em segurança colocam a atualização do seu software como uma das práticas de segurança mais importantes que você pode implementar.
As atualizações de segurança são essenciais. Qualquer dispositivo que precise de software para funcionar, seja um laptop, um smartphone ou um automóvel, precisa de atualizações de software para corrigir defeitos. Schneier descreve as atualizações de segurança desta forma: "Mantemos a segurança por meio de (1) descobridores que divulgam uma vulnerabilidade encontrada ao fornecedor do software e ao público, (2) fornecedores que lançam rapidamente uma correção de segurança para corrigir a vulnerabilidade e (3) usuários que instalam essa correção." Por que a abordagem de "encontrar e corrigir" é a forma como fazemos as coisas? Por que não "acertamos na primeira vez"? Bem, alguns sistemas tentam acertar na primeira vez — software executado em aviões, carros ou equipamentos médicos, por exemplo — mas geralmente é um processo lento e caro. E mesmo assim, nem sempre se acerta: até mesmo aviões e carros e equipamentos médicos ainda podem precisar de patches para corrigir defeitos.

O que se denomina Fim da Vida Útil para um software significa que nenhuma nova correção ou atualização será lançada. Quando o código-fonte é proprietário, não há nada que alguém possa fazer para corrigir defeitos de software. Nesses casos, bugs e vulnerabilidades simplesmente permanecerão sem correção, para sempre. Um exemplo recente, que pode afetar os leitores deste manual, é o fim do suporte ao Windows 10. Inicialmente planejado para 14 de outubro de 2025, posteriormente estendido para 13 de outubro de 2026 (embora com condições, como a necessidade de uma conta da Microsoft), estima-se que o fim do suporte ao Windows 10 transformará mais de 240 milhões de computadores em lixo eletrônico. O motivo: devido aos novos requisitos restritivos de hardware, centenas de milhões de computadores não poderão ser atualizados para o Windows 11, deixando os usuários desses dispositivos abandonados com software sem suporte e em uma posição vulnerável.
Embora os computadores com Windows 10 ainda possam ligar e ser "utilizáveis" após o término do suporte, os aplicativos mais recentes eventualmente pararão de funcionar e, o mais crítico, para qualquer nova vulnerabilidade encontrada, o usuário estará em risco, sem nenhuma atualização à vista. Nunca. Novamente, quando o software em um computador permanece sem correção, continuar a executá-lo representa um risco de segurança. Substituir esse dispositivo sem suporte é uma maneira de resolver o problema. Na verdade, substituir seu computador com Windows 10 parece ser o que a Microsoft deseja. Mas substituir um dispositivo significa produzir e transportar um novo, e isso acarreta um enorme custo ecológico. Lembre-se:
O dispositivo mais ecológico é aquele que você já possui.
Existem maneiras melhores de resolver a obsolescência de hardware causada por software do que comprar um computador novo. A que recomendamos é instalar um novo software, que continue recebendo atualizações de segurança: FOSS! Aliás, o Escritório Federal Alemão para Segurança da Informação recomendou o Linux como uma forma de manter os dispositivos Windows 10 abandonados em uso com segurança.
Manter e testar software é certamente muito mais complexo do que simplesmente ter código livre e de código aberto. No entanto, somente o FOSS permite que o software seja reparado (ou seja, corrigido) independentemente dos fornecedores, razão pela qual o KDE Eco se refere ao FOSS como software reparável. De fato, juntamente com outras organizações como a Software Freedom Conservancy, a Free Software Foundation e a Free Software Foundation Europe, consideramos o licenciamento de software uma parte crítica do movimento mais amplo pelo Direito ao Reparo.
Apêndice: Conceitos errôneos comuns
Nesta seção, vamos desmistificar cinco dos equívocos mais comuns sobre o FOSS:
- "Qualquer pessoa pode modificar o aplicativo que estou usando."
- "Você nunca sabe de onde veio o software."
- "FOSS é menos seguro."
- "Preciso ser um desenvolvedor para me beneficiar do software livre e de código aberto."
- "O software livre e de código aberto (FOSS) é gratuito porque é desenvolvido por voluntários."
Todas essas afirmações estão incorretas, e as explicações a seguir revelarão mais sobre como o FOSS funciona como software, como ecossistema e como negócio.
Conceito errôneo 1: Qualquer pessoa pode modificar o aplicativo que estou usando.
A ideia errada é a de que todas e quaisquer alterações de código acabam no software que você baixa e usa. Isso não é verdade. Uma equipe central de desenvolvedores gerencia o desenvolvimento de software livre e de código aberto (FOSS), seja um aplicativo, um ambiente de desktop ou algum outro componente do sistema operacional. Qualquer pessoa pode fazer alterações e propô-las à equipe central de desenvolvedores, que as revisará e decidirá se as aceita ou rejeita. Esse processo não significa que o FOSS esteja livre de código mal escrito ou malicioso. Significa apenas que nem todas as alterações propostas ao código são automaticamente incluídas no software lançado pelos desenvolvedores principais — e executado no seu computador.
Para fazer uma analogia com a culinária: quando um chef famoso publica uma receita, qualquer pessoa pode modificá-la ao preparar o prato. Essas alterações podem melhorar ou piorar a receita. Aliás, algumas modificações podem ser tão boas que alguém acha que deveriam ser incluídas na receita original e, por isso, envia suas sugestões ao chef. No entanto, a inclusão ou não dessas alterações em versões futuras da receita depende inteiramente do chef original, e não de quem sugeriu as mudanças. Resumindo, qualquer pessoa pode sugerir as modificações que quiser, mas isso não significa que elas serão adicionadas à receita original — ou que acabarão no seu prato.
Conceito errôneo 2: Você nunca sabe de onde veio o software.
É verdade que qualquer pessoa pode modificar o FOSS e lançar suas alterações ao público, mas o equívoco aqui é que o software modificado é indistinguível do original. O FOSS geralmente possui uma marca e é identificável. Por exemplo, uma marca registrada protege legalmente o logotipo, os símbolos, os nomes e outros elementos associados ao software. Embora o código-fonte seja licenciado para permitir aos usuários certos direitos — usar, estudar, compartilhar e aprimorar o código subjacente —, as marcas registradas impõem restrições legais aos desenvolvedores em relação à marca. O código que foi modificado a partir do original (ou "fork") pode ser renomeado, e essa renomeação acontece o tempo todo. Mas uma marca registrada significa que o software fork não pode ser lançado com a mesma marca do original. Legalmente, ele deve ser identificável como software modificado, para que se possa ver exatamente de onde ele veio.
Usando a analogia da culinária: mesmo que um cozinheiro altere uma receita ao preparar um prato, ele não pode publicá-la com o nome do chef original. Ou seja, você pode modificar a receita para seu próprio uso, em alguns casos até mesmo publicar suas alterações, mas não pode afirmar que essas alterações são do chef original.
Conceito errôneo 3: FOSS é menos seguro.
Essa talvez seja uma das ideias equivocadas mais comuns sobre o FOSS, e o oposto é que é verdade. Embora o FOSS ainda possa conter bugs ou código malicioso (todo código pode), a transparência do código significa que essas vulnerabilidades são mais fáceis de detectar; e, crucialmente, uma vez descoberto o código problemático, é mais fácil corrigi-lo. De fato, o Escritório Federal Alemão para Segurança da Informação (em alemão: Bundesamt für Sicherheit in der Informationstechnik ou BSI, para abreviar) destacou as vantagens de segurança do FOSS. Eles afirmam: "O uso de [FOSS] por si só não garante um sistema seguro. No entanto, oferece vantagens estratégicas significativas nesse processo."
Mais uma vez, usando a analogia culinária: é mais difícil adicionar elementos nocivos ou indesejados a uma receita quando a lista de ingredientes é visível a todos. Além disso, se esses ingredientes forem encontrados, o cozinheiro pode facilmente adaptar a receita e removê-los para tornar o prato seguro para consumo novamente. A transparência não garante que uma receita não contenha ingredientes indesejáveis, mas oferece vantagens reais para encontrá-los e removê-los.
Conceito errôneo 4: Preciso ser um desenvolvedor para me beneficiar do software livre e de código aberto.
Você não precisa ser um engenheiro de software para usar o FOSS e aproveitar seus benefícios. Você pode baixá-lo e instalá-lo, com a garantia de que as atualizações necessárias chegarão quando estiverem prontas. Essencialmente, você pode ser um cliente de FOSS, e isso já basta. Se quiser, no entanto, você pode aprender a linguagem de programação do seu software favorito e enviar o código para revisão. Muitos fazem isso a cada hora do dia. Na verdade, existem milhões de programadores ao redor do mundo desenvolvendo FOSS. Alguns são pagos pelo seu trabalho, outros o fazem como voluntários; alguns são pagos e ainda assim trabalham como voluntários fora do horário de expediente. Mesmo que você não seja um desenvolvedor, outros são — você pode até conhecer alguns — e eles estão por aí adicionando novos recursos, corrigindo bugs, solucionando vulnerabilidades de segurança, etc. Mas você certamente não precisa fazer nada disso para desfrutar do Software Livre e de Código Aberto.
Usando a analogia da culinária: você não precisa ser um cozinheiro para apreciar o resultado de uma boa receita. Se você não sabe cozinhar, provavelmente conhece alguém que sabe e essa pessoa compartilhará um jantar com você (desde que você contribua com as compras!). Se você não conhece ninguém, sempre pode contratar um chef particular para preparar a comida que você gosta exatamente do jeito que você quer. Ter acesso à receita torna isso possível. É importante acrescentar que você pode, e deve, apoiar as equipes por trás do software que você usa e aprecia. Você pode doar dinheiro ou seu tempo — os voluntários são vitais para os projetos de software livre e de código aberto, oferecendo todos os tipos de habilidades não relacionadas à programação, como design, divulgação, tradução, promoção e muito mais.
Na Parte III deste manual, você aprenderá como executar eventos de instalação e dar suporte a novos usuários com software livre e de código aberto (FOSS). Ajudar novos usuários a começar é uma ótima maneira de contribuir com o software que você usa e adora.
Conceito errôneo 5: O software livre e de código aberto (FOSS) é gratuito porque é desenvolvido por voluntários.
Isso não é verdade, de forma alguma. O FOSS não é necessariamente gratuito, nem é desenvolvido apenas por voluntários. O FOSS é desenvolvido tanto por engenheiros de software remunerados quanto por voluntários, e os colaboradores vêm de todo o mundo. A palavra "Livre" em Software Livre e de Código Aberto não se refere ao preço, mas às liberdades do usuário garantidas pela licença FOSS. As pessoas ainda precisam ganhar a vida. A forma como se ganha dinheiro depende do modelo de negócios, e existem muitos modelos de negócios diferentes no ecossistema FOSS. Alguns programadores vendem seus softwares, por exemplo, em lojas de aplicativos; algumas empresas vendem serviços profissionais para dar suporte ao software que desenvolvem; outras organizações vendem mercadorias; enquanto alguns projetos de desenvolvimento não vendem nada, dependendo de doações (pequenas e grandes) dos usuários. Contanto que o código do software seja lançado sob uma licença FOSS, ele ainda é Software Livre e de Código Aberto, independentemente de quanto dinheiro seja ganho.
A analogia com a culinária tem seus limites. Uma diferença importante a observar: mesmo que uma receita possa ser compartilhada com um número ilimitado de pessoas, um cozinheiro individual só pode compartilhar o resultado (ou seja, o prato servido) com um número limitado de pessoas. Em contrapartida, o código de um software e seu resultado — o aplicativo que você baixa e usa — podem ser compartilhados infinitas vezes com um número infinito de pessoas. Alterações feitas na base de código por um único colaborador (talvez você!) podem ser replicadas para milhões, até mesmo centenas de milhões, de usuários do software!
Parte III: Atualizando dispositivos com software livre e de código aberto (FOSS)
Esperamos que agora você esteja convencido a usar software livre e de código aberto (FOSS) e a ajudar outras pessoas a instalar um sistema operacional e aplicativos FOSS em seus computadores. Dessa forma, você e outros poderão usar seus dispositivos até o fim da vida útil do hardware e não descartar computadores em funcionamento quando o suporte ao software proprietário terminar.
Esta parte do manual se concentra em como atualizar os dispositivos dos usuários para software livre e de código aberto (FOSS). Na verdade, a maneira mais fácil e direta é ajudar seus amigos, familiares e entes queridos diretamente. Não subestime a importância desse apoio!
Dito isso, nosso foco aqui é o suporte ao software livre e de código aberto (FOSS) para um público mais amplo, por meio de divulgação, eventos de instalação e outros tipos de encontros organizados para ajudar as pessoas a fazerem a transição. Para aqueles que desejam se envolver com isso, recomendamos que primeiro se juntem a uma organização já existente. Isso inclui trabalho voluntário em Repair Cafés, organizações ambientais e outras iniciativas de reparo, bem como ajuda em eventos como o End of 10 e o Dia da Independência Digital, eventos de instalação do Linux, CryptoParties e assim por diante. Se não houver nenhuma em sua região, você pode criar uma — e discutiremos isso mais tarde.
Não partimos do princípio de que você tenha experiência prévia na organização de eventos de instalação, e a primeira seção oferece sugestões de como adquirir mais experiência. Não abordaremos muitos detalhes técnicos aqui — este não é um guia passo a passo. Em vez disso, fornecemos um esboço do que consideramos útil para começar, com indicações de como encontrar recursos para obter mais informações. Observe que nenhum software específico será o foco deste manual, embora utilizemos muitos recursos da comunidade KDE ao longo do texto. Existem alguns motivos pelos quais não estamos fornecendo orientações passo a passo específicas:
- Os detalhes específicos mudam frequentemente à medida que novas versões do software são lançadas, o que rapidamente tornaria o manual desatualizado.
- Os detalhes dependem do software específico que está sendo instalado, para o qual já existem inúmeros guias online. Não há necessidade de reinventar a roda!
Certamente existem outras maneiras pelas quais este texto está incompleto, mas esperamos que o manual, mesmo assim, forneça uma boa base para começar a oferecer suporte a software livre e de código aberto para novos usuários.
O texto aqui apresentado também expressa opiniões, e o leitor pode discordar de algumas das sugestões. Mesmo assim, acreditamos que ele seja útil. Ao identificar os pontos de discordância, você estará mais atento às decisões que tomar. Essa consciência pode beneficiar o planejamento e a execução dos seus próprios eventos de instalação. Ainda assim, agradecemos seus comentários, sugestões e contribuições construtivas!
A partir daqui, esta seção é dividida em 4 etapas:
- Adquirindo experiência com software livre e de código aberto (FOSS) e grupos de FOSS
- Antes dos eventos de instalação
- Durante os eventos de instalação
- Após os eventos de instalação
Idealmente, você pode repetir esses passos como o algoritmo do shampoo: ensaboar, enxaguar, repetir. Ou seja, o ideal é abordar o suporte a software livre como uma atividade contínua, em vez de um evento isolado. Abordaremos isso novamente mais adiante nesta seção.
Ao explorar o ecossistema FOSS em profundidade, você poderá se deparar com diversos termos novos. Aqui está um breve glossário de vocabulário útil:
- PC: um notebook, laptop ou computador de mesa
- Sistema Operacional FOSS (SO): O Linux é o mais popular, mas existem outros como o OpenBSD e o Haiku
- Sistema Operacional Proprietário (SO): MS Windows, MacOS
- Distribuição (ou Distro): Um sistema operacional FOSS (software livre e de código aberto) e o software que o acompanha, geralmente obtido de um site.
- ISO / arquivo de imagem: o arquivo que contém o sistema operacional a ser instalado
- Interface Gráfica do Usuário (GUI, sigla em inglês): uma forma de interação com o computador baseada em elementos gráficos (por exemplo, apontar e clicar com o mouse)
- Ambiente de Área de Trabalho: a Interface Gráfica do Usuário (GUI) usada para interagir com o sistema operacional ou administrá-lo
- Aplicativos (ou Apps): programas de computador para tarefas do usuário final, como leitores de PDF, editores de texto, jogos, em vez de para administração do sistema (cf. Ambiente de Área de Trabalho).
- Com sistemas operacionais proprietários, os aplicativos geralmente são baixados e instalados de um site externo, embora hoje em dia alguns aplicativos também possam ser instalados por meio de uma loja de aplicativos.
- No ecossistema FOSS, os aplicativos são normalmente instalados por meio do gerenciador de software ou de pacotes do ambiente de área de trabalho.
- CPU (sigla em inglês para Unidade Central de Processamento): principalmente CPUs Intel ou AMD baseadas na arquitetura x86 com arquitetura 32 bits ou 64 bits, mas não apenas
- RAM (ou memória de trabalho): memória temporária que é perdida quando o computador é desligado. Mais RAM geralmente significa processamento mais rápido.
- Armazenamento em massa: Unidade de disco rígido (HDD), unidade de estado sólido (SSD), cartão SD, etc.
- Repositórios (para Linux e outros ecossistemas FOSS): A fonte a partir da qual o sistema e os aplicativos podem ser atualizados e novos aplicativos podem ser instalados.
- Interface de Linha de Comando (CLI, sigla em inglês) / Terminal: uma interface baseada em texto (por exemplo, digitar comandos com o teclado) em comparação com uma GUI (Interface Gráfica do Usuário).
Etapa 1. Ganhando experiência
A maneira mais fácil e barata de ganhar experiência com um sistema operacional FOSS é encontrar um computador sem uso, de preferência não muito antigo (menos de 10 anos), para que você possa realmente experimentar o poder do seu novo sistema operacional e simplesmente testá-lo. Existem inúmeros guias que o orientarão no processo de instalação passo a passo. Pesquise online pelo sistema operacional que deseja instalar ou consulte sites de visão geral como o "Year of the Linux Desktop". Se você não tiver um computador antigo sobrando, seus amigos e familiares provavelmente têm. Pergunte por aí! Você se surpreenderá com a facilidade com que pode encontrar um computador funcionando, porém abandonado, em seus círculos sociais.
Então você encontrou um computador para testar software livre e de código aberto (FOSS), mas neste momento você pode estar se perguntando: como posso decidir qual sistema operacional e ambiente de desktop FOSS devo usar quando existem tantas opções? E sim, existem muitíssimas opções. Essa é uma das reclamações mais comuns que ouvimos de novos usuários. Nossa resposta: além de restrições como requisitos mínimos de sistema, isso realmente não importa! Você sempre pode mudar para outro sistema operacional e ambiente de desktop FOSS posteriormente. Não há custos de licenciamento ou outras restrições ao usar FOSS, então baixar e instalar outro sistema é sempre uma opção. Aliás, "trocar de distribuição" é um fenômeno comum entre novos usuários de FOSS.
Algumas coisas a observar neste ponto:
- O software livre e de código aberto (FOSS) é normalmente disponibilizado por meio de uma "distribuição" (ou "distro", abreviadamente) que oferece diferentes configurações padrão e interfaces de usuário para diversas necessidades de usuário e hardware.
- Se você possui um computador antigo com especificações de hardware modestas, procure um sistema operacional "leve" projetado para dispositivos de baixo desempenho. Uma busca online revelará diversas recomendações.
- Se você tiver um computador mais recente com mais poder de hardware, poderá instalar praticamente qualquer sistema operacional. As principais diferenças que você notará são o ambiente de área de trabalho, a configuração padrão do sistema e outros aspectos semelhantes. Experimente várias distribuições para encontrar a que melhor se adapta às suas necessidades.
- Como a maioria dos hardwares não foi projetada para software livre e de código aberto (FOSS), você pode encontrar problemas com drivers de placas de vídeo, Wi-Fi, webcams, entre outros. Esses problemas geralmente podem ser resolvidos com um pouco de esforço, mas talvez seja necessário pesquisar um pouco para encontrar soluções.
- Algumas distribuições incluem software com interface gráfica para detectar e instalar drivers proprietários. Recomenda-se o uso desse software antes de se aventurar na interface de linha de comando.
Se você deseja suporte presencial ao começar, recomendamos visitar o site do End Of 10 para encontrar um local ou evento na sua região. Veja também a próxima seção para dicas sobre como montar uma equipe de apoio para software livre!
Como este é um manual da iniciativa KDE Eco, recomendamos experimentar uma distribuição com o ambiente de desktop KDE Plasma. Ele pode ser instalado em muitas distribuições principais, como Fedora, openSUSE, Debian, bem como seus derivados, como Kubuntu, MX Linux, CachyOS e mais. E se você possui um Steam Deck, pode já estar usando o KDE Plasma.

O lema do KDE Plasma é:
"Simples por padrão, poderoso quando necessário."
Em outras palavras, embora as configurações padrão facilitem o uso sem ajustes adicionais, o KDE Plasma é, na verdade, um software muito poderoso, permitindo personalização para que funcione exatamente como você deseja. Com um pouco de exploração das configurações do sistema e alguns cliques aqui e ali, você pode deixá-lo com uma aparência familiar — ou experimentar algo completamente diferente, algo único para suas necessidades. O KDE Plasma oferece muitas opções tanto para novos usuários quanto para usuários avançados. E além do Ambiente de Área de Trabalho Plasma, o KDE oferece muitos aplicativos amplamente utilizados. Confira a página "KDE Para Você" para saber como os aplicativos KDE e outros softwares livres e de código aberto podem atender às suas necessidades, seja você um Criador, Jogador, Estudante ou Cientista, e muito mais.
Etapa 2. Eventos antes da instalação
Nesta seção, exploraremos a formação de equipes de software livre e de código aberto (FOSS), bem como algumas maneiras de se preparar e promover um evento, antes que você se encontre em uma sala repleta de novos usuários curiosos e nervosos.
Encontrando outros anjos do FOSS
Se não houver grupos de usuários Linux ou cafés Linux na sua região (veja a próxima seção), isso é uma pena, mas também uma oportunidade: você pode começar um!
No projeto "Opte pelo Verde" do KDE Eco, tivemos contato com muitas organizações e indivíduos que oferecem suporte a softwares livres e de código aberto (FOSS). Uma história em particular merece ser compartilhada. Para formar uma equipe local de defensores do FOSS,4 um grupo na Alemanha organizou uma sessão informativa na prefeitura local. Cerca de 100 pessoas compareceram! Eles discutiram as questões relacionadas ao fim do suporte ao Windows 10 (consulte a Parte II para relembrar seus impactos ambientais) e perguntaram à plateia (a) quem estaria interessado em instalar FOSS por conta própria e (b) quem estaria interessado em ajudar outras pessoas a fazer o mesmo.
A partir desse evento, eles formaram uma equipe de 20 voluntários que se reuniam durante várias semanas para comer pizza e beber cerveja, a fim de adquirir experiência e solucionar problemas em conjunto. Eles também mantinham os membros interessados da plateia atualizados sobre suas atividades. Assim que a equipe de suporte estava pronta, realizaram diversos eventos de instalação, atualizando mais de 40 dispositivos para software livre em apenas alguns meses. Com o sucesso dessa iniciativa, eles agora estão planejando um Linux Café em sua região para oferecer suporte contínuo à comunidade!
Seguindo este excelente exemplo, você também pode construir uma equipe de usuários de software livre e de código aberto (FOSS) de grande porte em sua região.

Se você gosta dessa ideia, mas sente que vive em um deserto de software livre, não se esqueça de que os colaboradores de projetos de software livre estão espalhados pelo mundo todo. É uma verdadeira rede global. Ao procurar pessoas com interesses semelhantes, considere entrar em contato diretamente com um projeto e perguntar se algum colaborador mora na sua região e gostaria de ajudar, ou se conhece alguém que possa. Encontre uma lista de discussão ou sala de bate-papo, apresente-se e conte à comunidade o que você tem interesse em fazer. As equipes de software livre geralmente recebem bem novas pessoas que demonstram interesse em seu trabalho, e você provavelmente receberá feedback rapidamente.
Abrir um Linux Café ou um Repair Café dá mais trabalho do que organizar um evento, mas vale muito a pena pelo suporte contínuo. Aqui estão alguns recursos sobre como começar um:
- O Repair Cafe International tem informações muito úteis nas páginas "Inicie o seu" e "Linux Repair Café".
- O Projeto Restart preparou um "[Fim do Windows 10: Um Kit de Ferramentas para Grupos de Reparo da Comunidade](https://therestartproject.org/end-of-windows-10-toolkit -for-repair-groups/)".
Organizar o primeiro de muitos eventos de instalação ou iniciar um Repair Café é muito viável. Muitas pessoas como você estão abrindo caminho! Não se desanime se o interesse for baixo no início. Leva tempo e energia para construir uma comunidade.
Juntando-se a uma organização
Por que começar do zero quando um grupo motivado já pode estar atuando na sua região? Por exemplo, iniciativas de reparo que oferecem suporte a softwares, grupos de usuários Linux, CryptoParties e muito mais podem ser encontrados em todo o mundo. Alguns lugares para começar são:
- Diretório do End Of 10
- Repair Café International
- Restart Project
- Diretório de Repair Café iFixit
- Grupos de Usuários Linux
- CryptoParties
- Clubes estudantis e de software livre (como os FOSS United Clubs na Índia)
- Lojas de informática que oferecem suporte para Linux
Entre em contato e pergunte com o que eles precisam de ajuda. Não tenha receio! Por experiência, esses grupos sempre ficam felizes em ter mais voluntários. Você pode se envolver ajudando a organizar eventos de instalação de software livre e de código aberto e eventos promocionais (por exemplo, o Software Freedom Day ou o Linux Presentation Day), fornecendo suporte contínuo a novos usuários, arrecadando fundos ou qualquer outra atividade que a organização esteja realizando para promover e apoiar o software livre e de código aberto para novos usuários.
Planejando uma festa de instalação
Vale ressaltar que a instalação é apenas uma das muitas etapas do processo de migração. Portanto, vamos pensar nisso da perspectiva do usuário. As principais etapas para um novo usuário podem ser as seguintes:
- Etapa 0: Decidir instalar um sistema operacional FOSS
- Etapa 1: Proteger seus dados
- Etapa 2: Instalação
- Etapa 3: Obtenção de apoio de acompanhamento
Ao considerar cada uma dessas etapas, você poderá atender melhor às necessidades de um usuário (i) antes do evento, realizando uma promoção eficaz, (ii) durante o evento, garantindo que tudo corra bem, e (iii) após o evento, caso surjam problemas.
Nota: O primeiro passo mais fácil para novos usuários pode ser usar aplicativos FOSS multiplataforma em seu sistema operacional proprietário existente antes de instalar um novo sistema operacional por completo. Muitos aplicativos FOSS também funcionam no Windows e no macOS. Estes incluem (mas certamente não se limitam a) o navegador web Firefox, o cliente de e-mail Thunderbird, o editor de texto LibreOffice, o visualizador de PDF e documentos do KDE Okular e muitos outros. Então, quando fizerem a transição para um sistema operacional FOSS, alguns dos softwares já serão familiares!
Por que um novo usuário decide (não) instalar um sistema operacional FOSS?
Muitos guias de instalação começam logo na etapa de instalação ou talvez com o backup de dados, mas muito poucos começam com o que é a etapa mais importante de todas: Decidir migrar para um sistema operacional FOSS. Compreender as motivações dos usuários para fazer a mudança ajudará você a se preparar para a divulgação e a promoção de eventos.
Muitos potenciais usuários jamais pensariam em experimentar um sistema operacional FOSS. Isso pode ocorrer por diversos motivos, como:
- Eles nem sabem que sistemas operacionais FOSS existem.
- Eles acreditam que o software livre e de código aberto (FOSS) não atenderá às suas necessidades.
- Eles acham que é muito difícil de usar.
- Eles percebem que o software desatualizado ainda funciona, então por que se incomodar?
- Eles já ouviram dizer que muitas coisas não vão funcionar.
- Eles temem não ter apoio quando surgirem problemas.
- Eles não conhecem mais ninguém que use software livre e de código aberto.
E certamente há mais. É importante considerar esses motivos para entender a melhor forma de lidar com eles. Algumas ideias que podem ajudar:
- Mostre, não conte! Sempre tenha um computador de demonstração para os usuários experimentarem. Isso pode ser feito no próprio evento de instalação ou antes, em uma apresentação pública ou estande. Deixe os usuários usarem o dispositivo e sentirem na prática como ele funciona. Muitos se surpreendem com o quão confortável é usá-lo!
- O fim do suporte de software é um ótimo momento para mencionar o FOSS como uma opção viável. Por exemplo, quando a Microsoft ou a Apple descontinuam o suporte para seus softwares proprietários — em alguns casos, deixando os usuários aparentemente sem outra opção a não ser comprar um novo hardware — o FOSS pode ser apresentado como uma forma de manter esse dispositivo em uso.
- Como o usuário pode estar pronto para comprar um novo dispositivo de qualquer maneira, essa opção praticamente não apresenta riscos (desde que ele tenha feito backup de seus dados). Ele pode experimentar sem gastar nada e ficar satisfeito com o desempenho.
- Se você estiver realmente entusiasmado, considere demonstrar dispositivos que executam software livre e de código aberto (FOSS) que, de outra forma, seriam considerados lixo eletrônico em feiras ou festivais ambientais (e leve alguns folhetos sobre os benefícios ambientais do FOSS). Isso por si só pode ser bastante convincente, especialmente quando o software é mais rápido e responsivo do que o software que a pessoa usa atualmente.
- Entenda as necessidades de computação do usuário e ajude-o a avaliar se um sistema FOSS será adequado. Por exemplo, determine se o usuário depende de algum software proprietário (como produtos da Adobe) ou hardware externo (como equipamentos de laboratório especializados) que não funciona (bem) com o FOSS.
- Pode ser útil salientar que outros aplicativos FOSS podem atender às suas necessidades — destacando que o software não é melhor nem pior, apenas diferente do que eles estão acostumados. Instale-o e deixe-os experimentar. E não se esqueça: não tem problema se eles decidirem que a alternativa não é a ideal para eles.
- Descubra quais periféricos eles usam, como impressoras e outros equipamentos externos, e verifique se são compatíveis. Caso contrário, deixe isso claro para eles.
- Explique por que as atualizações são importantes para corrigir vulnerabilidades de segurança e como isso se aplica a todos os softwares.
- Sempre que possível, indique exemplos específicos para novos usuários. Às vezes, a mídia dá atenção à questão das vulnerabilidades de segurança em softwares. Por exemplo, o Escritório Federal Alemão para Segurança da Informação (BSI) divulgou dicas sobre o que os usuários podem fazer antes do fim do suporte ao Windows 10, incluindo a instalação do Linux.
- Faça uma lista de locais próximos que oferecem suporte fora do evento. Por exemplo, veja os locais listados no End Of 10 ou entre em contato com outras organizações locais e lojas de informática independentes que oferecem suporte a software livre e de código aberto (FOSS). Entregue essa lista aos usuários antes e depois do evento.
- Em vez de promover seu evento individualmente, divulgue-o para grupos de potenciais usuários. Por exemplo, entre em contato com uma escola, um grupo ambiental ou político, um coletivo, uma comunidade residencial, etc., e ofereça-se para realizar um evento ou ministrar um curso. Migrar vários usuários que já se comunicam regularmente facilitará o suporte informal após a instalação de um novo sistema operacional.
- Aqui está um exemplo de como a KDE trabalhou em conjunto com a comunidade de Desenvolvimento Comunitário Cabo-Verdiano-Americano em Rhode Island para atualizar dispositivos não utilizados: "Estes computadores quase foram para um aterro sanitário. Adolescentes estão revitalizando-os gratuitamente. Veja como."
- Aqui está um exemplo de como o KDE Eco trabalhou em conjunto com uma escola em Hannover e uma empresa local que doou hardware para ensinar alunos do 9º ano sobre os benefícios ambientais do FOSS: "Academia de Jogos".
- Pense nos muitos benefícios de migrar para o FOSS e comunique isso claramente aos novos usuários. O site End Of 10 tem uma lista de 5 motivos para atualizar seu computador antigo para Linux. Talvez alguns desses motivos sejam relevantes para o seu público-alvo.
- Não seja fanático: respeite o fato de que a liberdade do usuário também significa que os usuários podem escolher de forma diferente da sua!
Estas são apenas algumas ideias. Você tem mais alguma? Não hesite em nos contatar e poderemos adicioná-las às futuras versões deste manual.

Local, logística e divulgação
Assim que você e sua equipe de apoiadores de software livre estiverem prontos e tiverem algumas ideias sobre como promover o evento, é hora de começar a organizar os detalhes. Aqui está uma lista de alguns aspectos principais que você deve considerar:
- Você precisará de um local e de todos os suprimentos necessários. Exemplos de lugares que podem oferecer salas gratuitas incluem bibliotecas, centros comunitários, cafés, igrejas, etc. Certifique-se de verificar a acessibilidade do prédio e a disponibilidade de banheiros, além de internet (opcional) e tomadas (essenciais). Você também precisará de extensões, réguas de tomadas, pen drives compatíveis com software livre e de código aberto e talvez DVDs. É legal ter comida, bebidas, adesivos, bichinhos de pelúcia de pinguim e gnu, guias de software livre e de código aberto e outros materiais para incentivar e motivar novos usuários.
- Um adaptador USB Wi-Fi é útil caso o dispositivo não consiga se conectar à internet após a instalação. Esse problema costuma ocorrer em laptops da Apple com o driver proprietário da Broadcom e também pode acontecer com dispositivos Windows. Caso você se encontre nessa situação, ter um adaptador USB Wi-Fi pode ser útil para instalar os drivers necessários, quando disponíveis, posteriormente.
- Elabore um Código de Conduta (CdC) para voluntários e participantes. Certifique-se de que todos estejam cientes dele e tenham um plano para lidar com violações. Um exemplo de CdC da comunidade FOSS pode ser encontrado na comunidade KDE, e há muitos outros exemplos com uma rápida pesquisa online.
- Divulgue a informação, online e offline. Se você for voluntário em alguma organização, pergunte quais são as iniciativas de divulgação que eles estão realizando. Cole cartazes no seu bairro, na universidade, no escritório, na biblioteca, no supermercado e no centro comunitário; imprima panfletos e distribua-os; publique sobre o evento nas redes sociais. Se houver grupos ambientalistas ou de direitos humanos (mesmo que não sejam da área de tecnologia), entre em contato com eles também. O lixo eletrônico e a obsolescência programada são temas diretamente relevantes para ambos os grupos, e eles podem até mesmo promover o evento (veja aqui para um exemplo em Graz, Áustria).
A mídia local é uma maneira eficaz de alcançar pessoas em sua região. Publique um anúncio no jornal local, escreva para jornalistas locais, entre em contato com estações de rádio locais, podcasts e outras organizações com amplo alcance. Isso é particularmente eficaz se a sua divulgação tiver uma história com bom apelo midiático, como o fim do suporte para o Windows 10 ou ao colaborar com comunidades voltadas para o meio ambiente ou para causas sociais.
E não se esqueça: convide grupos e comunidades inteiras, não apenas indivíduos. É mais fácil superar os efeitos de rede e obter apoio quando seu círculo social usa software livre e de código aberto!
Proteger os dados do usuário: antes ou durante o evento?
Antes de instalar qualquer coisa, é fundamental ter backups de todos os dados no dispositivo. Isso é tão importante que vale a pena repetir: é fundamental ter backups de todos os dados antes de instalar qualquer coisa. Não pule esta etapa!
Os backups de dados podem ser feitos antes ou durante o evento. De qualquer forma, sua comunicação deve deixar claro o que você espera. A desvantagem de fazer backups antes do evento é que alguns usuários podem não saber como fazê-los e, portanto, não comparecer. A desvantagem de fazê-los durante o evento é que o backup dos dados dos usuários pode levar muito tempo. Seja como for, certifique-se de que os visitantes saibam o que você espera antes de chegarem.
No projeto Opte pelo Verde, percebemos que muitas pessoas guardam dispositivos antigos como arquivos de seus dados, sem se darem conta de que esses dados podem ser armazenados com segurança em um disco rígido externo, liberando o dispositivo para outros usos. Talvez você queira ter uma mesa no seu evento dedicada ao backup de dados dos usuários. Isso pode facilitar o processo para novos usuários, sem tomar o tempo daqueles que já protegeram seus dados antes do evento. E, como você provavelmente está organizando vários eventos, eles podem vir ao próximo para instalar o novo sistema operacional.
Etapa 3. Durante os eventos de instalação
Mostrar, não contar
Melhor ainda do que simplesmente dizer a um usuário curioso o que o software livre e de código aberto (FOSS) pode fazer, mostre a ele. Tenha um computador de demonstração pronto ou inicialize em um ambiente live (embora seja preciso ter cuidado para que nada seja bloqueado permanentemente ao inicializar a partir de uma unidade USB, como pode acontecer com o BitLocker do Windows; veja aqui). Às vezes, apenas ver um computador executando FOSS pode desmistificar as ideias preconcebidas das pessoas. Assim que elas veem que o FOSS funciona como se espera de qualquer sistema operacional moderno, muitos receios desaparecem rapidamente.
Sempre que possível, priorize interfaces familiares. O que isso significa? Por exemplo, quando um software puder ser instalado por meio de uma interface gráfica, use-a em vez da linha de comando. Para muitos novos usuários, as interfaces de linha de comando apenas reforçam a ideia de que o software livre e de código aberto (FOSS) é para especialistas. Se for absolutamente necessário realizar alguma ação pela linha de comando, explique que eles não precisarão fazer isso ou pergunte se têm interesse em aprender mais. A maioria dos usuários busca a maneira mais simples de realizar uma tarefa. Ofereça isso a eles!

Conhecendo as necessidades de informática de um usuário
Antes de instalar qualquer coisa, procure entender as necessidades da pessoa que você está ajudando e informe-a sobre as diferenças e semelhanças entre o software livre e de código aberto (FOSS). Peça para ela experimentar o FOSS em um ambiente real ou em um computador de demonstração. Descubra o que o usuário precisa fazer. Para muitos usuários, isso pode não ser claro nem para eles mesmos. Por esse motivo, alguns eventos incluem questionários curtos para os usuários preencherem juntos. Veja aqui para links para alguns exemplos de formulários, inclusive para coletar informações de hardware. Dependendo do nível de complexidade técnica do formulário (e formulários muito técnicos podem afastar um visitante), preencha-os junto com o usuário. Algumas informações gerais incluem: Qual a idade do computador? O que a pessoa pretende fazer com ele? Quais softwares ela precisa ou usa regularmente?
- As necessidades de um usuário são frequentemente determinadas pelo seu trabalho ou estudo, o que pode apresentar obstáculos intransponíveis. Se você precisa de um programa de computador específico e ele só funciona em um sistema operacional que não seja de código aberto (FOSS), será difícil ou impossível mudar. É importante estar ciente desses obstáculos antes de alterar o sistema operacional de um usuário. Você não quer deixar uma pessoa impossibilitada de usar o computador para o trabalho!
- Para alguns aplicativos proprietários, pode haver uma versão online do software disponível (por exemplo, o Microsoft Word também possui uma versão online). Considere essas opções, pois isso pode reduzir o atrito na transição entre sistemas operacionais. Existem também muitas alternativas ao software proprietário que podem atender às necessidades do usuário. Apresente essas opções aos novos usuários. Busque sugestões online.
- Em alguns casos, pode ser possível executar software do Windows em um sistema FOSS usando uma camada de compatibilidade como o Wine ou software baseado no Wine, como o Proton para jogos. Esta é uma solução mais técnica e pode não funcionar em todos os casos. O Wine possui um banco de dados de software que comprovadamente funciona, e o Proton possui um banco de dados semelhante, mas para jogos. Na verdade, os jogos no Linux evoluíram muito. Se você tiver jogadores em seu evento, informe-os de que podem jogar muitos de seus jogos em seu novo sistema operacional. Existem até distribuições Linux feitas sob medida para jogos.
Protegendo os dados do usuário
Veja acima se deve fazer backups de dados antes ou durante o evento. A maneira mais simples de fazer backup dos dados é copiar e colar manualmente os dados para um disco rígido externo. Outra opção é oferecer unidades SSD para substituir o HDD e manter a unidade antiga como backup completo do sistema. A Repair Café Hilpoltstein tem um guia (em alemão) sobre como fazer isso.
Se você estiver trabalhando com uma organização sem fins lucrativos, pode haver problemas com a venda de SSDs no evento. Alguns voluntários nos disseram que vendem o SSD a preço de custo e entregam o recibo aos usuários para evitar problemas legais. Informe-se bem antes de fazer isso.
Muitas vezes, é negligenciado descobrir onde as senhas dos usuários são armazenadas. Pergunte aos usuários se eles sabem. E eles podem não saber! Muitos navegadores armazenam senhas, então talvez seja uma boa ideia fazer um backup desses dados também, por precaução.
Se um usuário tiver dados salvos na nuvem, isso também pode ser usado para migrar seus dados para o novo sistema. Embora você possa ter opiniões sobre as plataformas que outros usam, provavelmente não é o momento de entrar em um debate sobre privacidade e assuntos semelhantes. Use o que eles usam e ofereça-se para mostrar alternativas, caso estejam interessados.
Instalando um sistema operacional FOSS
Certifique-se de que todos os dados do usuário estejam salvos em backup e seguros antes de qualquer outra ação. Também é importante incluir um aviso legal antes do evento, como:
- Esta é uma ajuda voluntária para mostrar aos novos usuários como eles podem se ajudar.
- Nenhum contrato está sendo estabelecido.
- Dispositivos e dados podem quebrar quando você toca neles.
- Os participantes são responsáveis por seus dispositivos e por fazer backups de dados.
Dica: É sempre uma boa prática pedir permissão antes de mexer no computador de outra pessoa! O ideal é que você não precise tocar no dispositivo, pois o usuário pode aprender a fazer tudo sozinho com a sua orientação.
A declaração de isenção de responsabilidade pode ser apresentada oralmente, mas também é recomendável tê-la por escrito e assinada antes de instalar qualquer coisa. Se você achar necessário, existem documentos legais disponíveis em iniciativas de reparo, bem como no The Linux Document Project. Consulte as autoridades competentes para garantir que esses documentos tenham validade legal.
O processo de instalação geralmente segue estes 3 passos:
- Prepare uma unidade USB ou DVD inicializável
- Entre na BIOS e inicialize a partir da unidade
- Instale o SO
Existem inúmeros guias online para todas as distribuições sobre como preparar uma unidade inicializável. Também existem softwares multiplataforma para preparar a unidade, como o Fedora Media Writer e o Rufus. Verificar o arquivo ou imagem ISO baixado exigirá algumas etapas adicionais, mas recomendamos fazê-lo para garantir que o arquivo não esteja corrompido e que seja o software original disponibilizado pelos desenvolvedores.

Para iniciar o BIOS ou o menu de inicialização, você deve pressionar e manter pressionada uma tecla específica durante a inicialização (geralmente F2, F10, F12, Esc, etc. para dispositivos Windows e a tecla Option para dispositivos Apple). Nesse momento, você pode selecionar a unidade da qual deseja inicializar. Consulte aqui para obter uma tabela de dispositivos e combinações de teclas necessárias para entrar no BIOS ou no menu de inicialização.
Recomendamos iniciar o sistema em um ambiente "live". Isso permite que o usuário experimente o software em seu próprio dispositivo antes de instalar qualquer coisa (certifique-se de que o BitLocker esteja desativado em um dispositivo Windows ou tenha uma chave de recuperação do BitLocker disponível caso o usuário fique bloqueado no sistema). No ambiente "live", é uma boa oportunidade para testar o Wi-Fi, a webcam etc., para garantir que tudo funcione corretamente antes da instalação. Se algo não funcionar, isso indica que etapas adicionais serão necessárias após a instalação. No entanto, mesmo que tudo funcione no ambiente "live", isso não garante que funcionará após a instalação.
Durante a instalação, será necessário criar um novo nome de usuário, senha, etc. Peça ao usuário para anotá-los em um pedaço de papel. Não pule esta etapa. Um problema comum após a instalação é esquecer a nova senha e, às vezes, até mesmo o nome de usuário!
Usando o sistema operacional FOSS
Neste ponto, você vai querer mostrar ao usuário como realizar tarefas no novo sistema operacional. Algumas dicas para que ele possa usar o novo sistema:
- Ajudar as pessoas a navegar pelo novo sistema, como o menu de aplicativos, a central de software, o ajuste de volume, a administração da impressora e assim por diante (é útil deixá-las fazer isso sozinhas e incentivá-las a tirar dúvidas).
- Instalando e desinstalando aplicativos
- Atualização do sistema e dos aplicativos (a conclusão desta ação pode levar algum tempo)
- Copiar os dados de backup do usuário para o novo sistema operacional (esta ação pode levar algum tempo)
- Opcional: Configurar um software de backup automático com o disco rígido externo (esta ação pode demorar um pouco)

Pode ser útil demonstrar como a instalação de software difere do sistema que utilizavam anteriormente. Ao contrário dos sistemas operacionais proprietários, a instalação e desinstalação de aplicativos, bem como as atualizações de software, são geralmente feitas com um gerenciador de pacotes. Explique que essa é a maneira recomendada de instalar e atualizar software no ecossistema FOSS.
Etapa 4. Após os eventos de instalação
Embora abordemos isso brevemente aqui, não subestime a importância de oferecer suporte posterior. A instalação em si pode ocorrer sem problemas, mas a adaptação ao novo sistema operacional exigirá, em muitos casos, ajuda adicional, como:
- Eles têm necessidades específicas de software (por exemplo, aplicativos que usam para o trabalho, software de impostos) e precisam de orientação adicional.
- Eles possuem dispositivos periféricos (por exemplo, impressoras, scanners) que parecem não funcionar com o novo sistema operacional.
- Aparentemente, uma atualização quebrou o sistema deles.
- O carregador de inicialização deles parece estar corrompido (algo muito comum em configurações de inicialização dupla).
Em alguns casos, esses problemas são fáceis de resolver, mas exigem conhecimento técnico que um novo usuário pode não ter. Em outros casos, pode exigir mais trabalho e tempo por parte do assistente.
Em relação às necessidades específicas de software de um usuário, o ideal é que elas sejam identificadas antes da instalação de qualquer coisa. No entanto, é fácil deixar algo passar e nem todos os casos de uso serão abordados na consulta pré-instalação. Esteja preparado para ajudar novos usuários à medida que esses problemas inesperados surgirem.
Recomendamos que você ofereça horários regulares de consulta sobre software livre e de código aberto (por exemplo, uma vez por semana ou uma vez por mês), se tiver disponibilidade. Informar aos novos usuários que eles não estarão sozinhos quando surgirem problemas pode realmente reduzir as barreiras à adoção.
Se você estiver organizando vários eventos, informe aos usuários a data e o horário dos próximos eventos. Se houver outras organizações em sua área que oferecem suporte a software livre e de código aberto (FOSS), mesmo que pago, faça uma lista e distribua-a aos participantes dos seus eventos.
Não se esqueça de demonstrar como eles também podem se ajudar. Há uma infinidade de recursos online, e embora estes não sejam para todos (muitos usuários só querem que o computador funcione e não estão dispostos a ler posts em fóruns, muito menos criar uma conta para fazer uma pergunta), alguns participantes se beneficiarão ao saber que existem recursos online para obter ajuda. Faça uma lista dos fóruns e listas de discussão relevantes para o novo sistema operacional deles.

Para suporte online, é útil demonstrar um fluxo de trabalho para a resolução de problemas. Isso inclui:
- Tenha sempre um backup recente. Se algo der errado, ter um backup facilita muito recomeçar do zero sem o risco de perda de dados.
- Leia as mensagens de erro. Em muitos casos, a mensagem de erro fornecerá informações cruciais para a resolução do problema.
- Procure soluções online. Às vezes, colar a mensagem de erro junto com "resolvido" em um mecanismo de busca ajuda a encontrar uma solução mais rapidamente.
- Leia as postagens do fórum. Não tente copiar e colar comandos do terminal aleatoriamente. Leia a postagem inteira primeiro para ver se as soluções sugeridas realmente ajudaram antes de tentar algo por conta própria.
- Publique seu problema em um fórum. Encontre o fórum certo, inclua informações sobre o sistema (software, versão, hardware, ações que desencadearam o problema para que outros possam reproduzi-lo, quaisquer mensagens de erro) e seja gentil e agradecido. Algumas pessoas podem parecer rudes — afinal, estamos falando da internet — mas não se deixe abalar. Muitas outras serão pacientes e prestativas. Concentre sua energia nelas!

Algumas pessoas oferecem suporte adicional remunerado fora dos eventos. Se você for um voluntário e decidir fazer isso, certifique-se de estar ciente de quaisquer questões legais que isso possa acarretar e de que a organização do evento esteja de acordo.
Recursos adicionais
Organizando um evento de instalação
Mais informações podem ser encontradas em Lista Incrível de Suporte para Novos Usuários.
- Como organizar uma festa de instalação? -- Guia rápido para organizar uma festa de instalação, do FAQ da campanha End of 10 (2025)
- Umstieg no Linux -- Preparando para uma festa de instalação do Linux, do LUG Villingen-Schwenningen e.V. (Alemão) (2025)
- Offene Linux-Werkstatt -- Guias para começar a usar Linux, do Repair-Café Hilpoltstein (Alemão) (2025)
- Fedora Wiki "InstallParty" -- Organizando um evento de instalação, da comunidade Fedora Linux (2019)
- Linux Installfest HOWTO -- Diretrizes para realizar um installfest bem-sucedido, do The Linux Documentation Project (2012)
FOSS em outros dispositivos
Neste guia, focamos em PCs, mas muitos outros dispositivos também podem ser atualizados para software livre e de código aberto (FOSS). Em alguns casos, o software livre e de código aberto ainda pode estar em desenvolvimento (por exemplo, Linux em smartphones) e pode não atender às necessidades de muitos usuários. Cuidado! No entanto, você pode querer explorar o fascinante mundo do FOSS em outros dispositivos. Aqui estão alguns exemplos:
- Smartphones & Tablets
- Linux: postmarketOS, mobian, Plasma Mobile, Ubuntu Touch, Phosh
- Derivados do Android: Replicant, lineageOS, e/OS
- Servidor doméstico (FreedomBox para sincronização de arquivos, bate-papo, e-mail e mídia)
- Automação residencial (Home Assistant, incluído no FreedomBox)
- Smart TVs (Kodi, Jellyfin, Plasma Big Screen)
- Leitores de e-book (KOReader)
- Abridores de portas de garagem (OpenGarage, ratgdo)
Certamente existem outros projetos empolgantes para tornar sua vida digital totalmente FOSS e independente. É um vasto mundo de Software Livre e de Código Aberto lá fora.

Solução de problemas
Aqui estão alguns recursos gerais para resolver alguns problemas que podem surgir. Esta lista não é de forma alguma exaustiva e se concentra em soluções básicas (por exemplo, usar uma interface gráfica em vez de uma interface de linha de comando). Se você tiver problemas específicos, consulte o fluxo de trabalho acima para obter um guia básico de como pesquisar soluções online.
- Linux não instalando
- Bitlocker
- Instalando drivers NVIDIA no Linux: Um Guia Abrangente
- Como configurar uma impressora no Linux
- Solução de problemas no Linux: Um Guia para Iniciantes
- Solução de problemas comuns no Linux: Dicas para novos usuários
- Solução de problemas comuns no Linux: Um guia para novos usuários
Nota de financiamento
O projeto Opte pelo Verde da KDE Eco foi financiado pela Agência Federal do Meio Ambiente e pelo Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN). Os fundos são disponibilizados por resolução do Bundestag alemão.


O editor é responsável pelo conteúdo desta publicação.
Em 2005, dois anos após a diretiva ter sido transposta para a legislação europeia, a Royal Society of Arts, no Reino Unido, inaugurou o “Homem WEEE”. Originalmente localizada na margem sul do Tâmisa, em Londres, a imponente figura foi posteriormente transferida para o Eden Project, na Cornualha, onde se encontra atualmente. ↩︎
Exemplo de E. Buckman & Joshua Gray, ``Uma Nota Sobre Software'' em Software Livre, Sociedade Livre (Primeira Edição). ↩︎
Embora existam "descompiladores" que convertem o código binário de volta em código fonte, a saída é frequentemente distorcida do original e pode ser difícil de entender. ↩︎
Usamos o termo "anjo" seguindo a terminologia usada pelo Chaos Computer Club na Alemanha para voluntários em seus eventos. ↩︎